sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A PATA DO PLUTO


A PATA DO PLUTO

Tânia e Adalberto decidiram tirar férias depois de uma grave crise conjugal. O casal parecia realmente disposto a recomeçar a relação de uma forma civilizada. Era preciso salvar aquela união que custou sete anos de namoro, três de noivado e a promessa feita na cerimônia religiosa de se separarem somente depois da morte. Os dois tinham muitas coisas em comum, mas o ciúme de Adalberto enlouquecia Tânia.

Uma vez, recém-casados, num jantar à luz de velas, Adalberto partiu pra cima do maitre que servia o casal. O quebra-quebra aconteceu porque Adalberto cismou que o gentil funcionário estava cantando Tânia. O coitado foi agredido com o balde de gelo e faturou oito pontos na testa.

- Adalberto, você enlouqueceu? O maitre tá sangrando!
- Isso é pra ele aprender a não dar respostinhas indecentes a uma mulher acompanhada na mesa...
- Mas Adalberto, fui eu que pedi pra ele dar uma passadinha na picanha!
- E ele precisava perguntar “quer que passe tudo ou só a pontinha?”
- Adalberto ele estava fazendo o trabalho dele, o que você queria que ele dissesse?
- O que eu queria é que você não dissesse pra ele dar uma passadinha na picanha. Pra não dar com o balde na sua cabeça, eu tive que quebrar a cabeça dele!

Tânia saiu do restaurante certa de que aquele casamento não duraria muito tempo. Adalberto não tinha limites e era capaz de qualquer loucura por causa do ciúme. Ele não se importava em ser detido pela polícia, vaiado na rua ou chamado de louco pelos vizinhos.

Mas ao contrário do que Tânia previa, o casamento chegou aos 13 anos, sabe Deus como. Mas nos últimos meses Adalberto vinha se aprimorando na arte de fazer merda por causa do ciúme. A gota d’água foi no dia em que Tânia se inscreveu no curso de pompoarismo.

- Que novidade é essa, agora, Tânia?
- Adalberto, é só um curso que ensina a mulher fazer exercícios pra enrijecer os músculos da vagina...
- Ai, ai, ai, não tô gostando nada disso... Desde de quando eu reclamei da sua vagina?
- Adalberto, deixa de ser ridículo! Você não vê que eu tô fazendo isso por nós dois? O nosso sexo vai ficar melhor, eu vou ter mais prazer e você vai ter mais prazer também...
- Você anda assistindo muito programa de mulherzinha na tevê... deixa a xoxota do jeito que tá, que tá ótimo!
- Adalberto, às vezes eu me pergunto como é que eu vim parar nesse casamento...
- Seja razoável, Tânia. Essa história de pompoarismo é puro modismo... você adora uma novidade inútil!
- Novidade inútil? Se você lesse mais e fosse menos à praia, ia saber que o pompoarismo é uma prática milenar indiana. As prostitutas asiáticas aprendiam a técnica para aumentar o prazer dos clientes. Com o tempo elas chegavam a tragar cigarros e até arremessar pequenas bolinhas com a vagina...
- Só me faltava essa agora: a vagina da minha mulher fumando e jogando! Faça-me o favor, Tânia...
- Se você abrir a boca pra falar mais uma besteira, eu juro que...
- E o professor, quem é o tarado do professor?
- Mas que professor, Adalberto? Eu nem sei se é professor ou professora...
- Só pode ser homem. E sem-vergonha! Professora que se preza não fica aí fazendo recauchutagem na vagina alheia...
- Adalberto, trata-se de um exercício como outro qualquer! Você não fica nem agradecido de eu estar fazendo isso por você, seu estúpido?
- Não venha desconversando, não. E esse tal curso tem teste?
- Teste??? Como assim, Adalberto?
- Quem vai ser o espertinho que vai avaliar se a vagina tá ou não tá rígida? É prova escrita ou oral?
- Adalberto, eu desisto! Você precisa urgentemente de um psiquiatra.
- Ah, então é assim: você decide transformar sua xereca num fliperama e eu é que preciso de psiquiatra?
- Adeus, Adalberto, eu vou pra casa da Taís. Não me espere pro jantar. Aliás, não me espere para refeição nenhuma nos próximos trezentos anos!

Tânia passou duas semanas em greve conjugal na casa da amiga. Quase à morte, Adalberto pediu que ela voltasse prometendo uma vida nova, sem ciúme, longe das brigas e dos escândalos. Comprou duas passagens para a Disney com cruzeiro marítimo incluído e jurou nunca mais fazer cenas patéticas.

O casal foi às Bahamas, fez compras em Miami e se acabou na Disneyworld. Há anos eles não se divertiam tanto, nem faziam tanto sexo. De volta ao Rio de Janeiro, ainda em clima de lua-de-mel, os dois conferiam as fotos da viagem.

- Ah, eu adoro essa minha foto abraçada com o Pluto, ele não é lindo?
- Peraí... Tânia, onde é que está a pata esquerda do Pluto?
- Como assim, Adalberto?
- Aqui, ó: a pata direita tá acenando pra mim, mas e a outra pata?
- Adalberto, eu tô te achando muito estranho... do quê você tá falando? O quê que tem a pata esquerda do Pluto?
- Tá na cara, Tânia! O filho da puta tava com a pata na sua bunda! Aaaaaaahhhh, é hoje que eu mato esse vira-lata desgraçado!
- Adalberto, aonde você vai com essas malas, Adalberto? Volta aqui, Adalberto!

4 comentários:

Anônimo disse...

Eba!!!!

quero mais...

beijo da filha torta!

Ana disse...

oi eu amei!!essa historia tó morrendo de ri muito boa!! ficar com DEUS

Anônimo disse...

Adorrei esse texto, muito divertido,rir muito com ele, e conheço alguém bem parecido com o Adalberto.
RSRSRSRSRSRSRSR

Fabianne disse...

Amei!!!Alias tudo q vc escreve e muuuuuuuuuito bom!!!!